Calvin Voichicoski lança o disco “Moscas Volantes”, confira!

Compositor curitibano, Calvin Voichicoski, lança primeiro disco pela Pessoa que Voa. Ouça “Moscas Volantes”.

O selo Pessoa que Voa nos brinda com mais um lançamento, este que entraria fácil para listas de Melhores do Ano, não fosse o caso de ser uma produção independente, baixo investimento e também baixa divulgação no “médio mainstream”. Mas isso não é algo que parecer intimidar Calvin Voichicoski é natural de Curitiba, mas mora em São Paulo, o músico abre a intimidade para falar abertamente sobre seus medos em um disco experimental e muito sentimental.

Conversamos com Calvin, sobre o disco “Moscas Volantes”, sobre o selo Pessoa que Voa e muito mais. De quebra ele comenta todas as canções do álbum num faixa a faixa exclusivo. Confira:

Calvin Voichicoski
Calvin Voichicoski. Foto: Carlos Dias.

MI – Cara, achei um barato o nome do seu disco. As “Moscas Volantes” causam certa irritação na vista, o seu som tem um feito diferente, me causou bem estar. De onde veio a inspiração pra escolher esse nome?

Calvin: pô, valeu demais! “moscas volantes” foi literalmente a primeira coisa que me veio a cabeça, antes mesmo de começar a escrever o álbum, eu queria muito fazer algo com esse nome. dei esse nome pro disco e tentei usá-lo meio que como uma estaca pra ele… as músicas poderiam ser qualquer coisa mas tinham que ser coesas com o nome e o que ele me faz sentir.

MI – Tem uma pira de escrever os nomes, tanto do disco quanto seu nome próprio, em letras minúsculas. Isso tem algum significado ou é uma parada estética?

Calvin: é uma parada estética mesmo! acho mais bonito escrever assim, acaba ficando tudo balanceado. é o mesmo jeito que eu acabo escrevendo meus rabiscos quando tenho alguma ideia…

MI – Você fala que “Moscas Volantes” é um disco sobre medo, como é ter coragem de falar sobre seus medos de uma maneira tão corajosa?

Calvin: é bom demais na real… um tempo gigante de escrever as letras do disco foi ter medo de falar sobre ter medo de outras coisas, de achar que eu não tinha pensado o suficiente sobre as coisas que eu tava falando, mas sei lá, acabou sendo mega catártico colocar tudo pra fora.

MI – Dentre as influencias desse disco você cita Pavement, Lô Borges, Built to Spill e Neil Young, cá entre nós são nomes bem diferentes, né? De que maneira essas influencias chegam e saem de você?

Calvin: dessas todas, o neil young foi o primeiro que eu descobri, quando eu era criança e ficava ouvindo essas rádios que tocam as 15 mesmas músicas dos 5 mesmos artistas e falam que só tocam “o melhor do rock clássico”, saca? mas eu sempre gostei dele… mas tem pouco tempo, uns 4 anos, que eu realmente comecei a prestar atenção, correr atrás de ouvir os álbuns… ele é muito foda, o senso de composição dele e a simplicidade de algumas instrumentações (principalmente no harvest) me ajudou bastante a pensar em jeitos diferentes de fazerem as coisas soarem. lô borges eu descobri no começo da adolescência, por causa do clube da esquina. fui atrás do disco dele de 72 quando tinha um link só na internet inteira pra baixar, ouvi uma vez e nunca mais… ano retrasado escavando os downloads do meu computador eu achei aquele disco porque eu queria ouvir com a giulia (minha namorada) e nunca mais deixei de ouvir. é um disco mega importante pra mim em vários sentidos… tanto no nosso relacionamento quanto na música… as letras me influenciam bastante. eu amo o senso de humor do pavement e o quão diferentes as músicas deles são, em questões de estilo e estética também. built to spill foi a última dessas que eu descobri, e ficar ouvindo o keep it like a secret em loop me fez perder um pouco o preconceito que eu tinha com distorção, de querer gravar as guitarras mais limpas possíveis. as estruturas das músicas deles também são muito boas.

MI – E esse é seu primeiro disco e também a primeira obra que sai pelo Pessoa Que Voa, como se deu essa parceria?

Calvin: todo mundo da pessoa que voa é foda demais!! eu conheci o theuzitz em 2015, ele também tinha lançado um disco pela lixo records, que é um selo incrível do rj. aí fui conhecendo o resto do pessoal por intermédio dele. o pessoal da quasar, o vinícius mendes, o lvcasu e o marchioretto. quando eu tava acabando o disco fui falar com eles e eles aceitaram. eu gosto pra caralho da produção de todo mundo ali.

MI – Aliás, tem planos de vir tocar por aqui (sp)? Quando?

Calvin: eu moro em sp! em são bernardo do campo, pra ser mais exato. eu nasci em curitiba e fiquei algum tempo lá, mas eu me mudei cedo pra cá.

sim, claro!! a maioria dos shows que eu fiz por aqui acabou sendo menor, em casas de amigos e um show solo… em santos toquei com o pessoal algumas vezes nuns lugares maiores, no alternapalooza (https://www.youtube.com/watch?v=YmdqF3-NRIE). ainda não sei quando o próximo show vai ser, talvez bem em breve, só depende de tudo dar certo nos ensaios.

Faixa a Faixa: “Moscas Volantes” – Calvin Voichicoski

“Moscas Volantes” – Capa por Giulia Caselato.

01 – Pavimento: foi a primeira música que eu compus pra esse disco, teve ter uns 15 demos diferentes dela no meu computador. foi um inferno pra gravar porque eu tinha a letra e o instrumental prontos mas sempre que tentava gravar os vocais acontecia alguma coisa e eu acabava desistindo.

ela é sobre uma época que eu fiquei internado no hospital. mas também sobre um monte de outras coisas, hahaha

02 – Caneta Retroprojetor: essa é sobre as minhas lembranças da escola, do ensino fundamental e sobre a minha primeira interação de verdade com a morte.

03 – Raso (Montra): eu tinha acabado de descartar duas músicas pra usar nesse álbum e precisava compor alguma coisa. acho que essa levou uns 20 minutos pra compor, mas é uma das minhas prediletas. é sobre se sentir exposto ao mundo sem nem ter opção, sobre perder amigos e sobre ataques de pânico constantes.

04 – Gargalo: acho que essa é a típica música odiar a cidade em que se mora… sei lá, tudo em são bernardo realmente parece que foi feito pra ser velho, nada anda pra frente, tudo é em função do passado. ninguém quer nada novo.

05 – Caixa D’água: escrevi essa pensando no quão ansioso e desesperado eu fico quando tô voltando de ônibus pela rodovia pra casa à noite e como eu não tenho controle nenhum sobre a situação. mas que eu também consigo ficar tranquilo pensando em outras coisas menores.

06 – Meu Céu da Boca está Sangrando e eu Tenho Medo: essa também fala de um monte de coisa. acho que é o mais perto que eu consegui chegar de representar como eu me sinto num ataque de pânico numa música.

07 – Marapé: eu vou bastante pra santos ver a giulia (que inclusive fez a capa dos dois eps e desse álbum e é uma artista muito foda no geral!!!! 127mg.tumblr.com) e sei lá, essa música é sobre isso, sobre os momentos que a gente tá junto lá e que eu não me sinto tão mal, como ela consegue me ajudar pra caralho em tudo e como cada segundo que eu passo com ela eu só vejo que ela é uma pessoa incrível. é uma música sobre ela. é a mais importante desse álbum pra mim.

Chega de papo, ouça “Moscas Volante” – Calvin Voichicoski na íntegra:


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