Antiprisma exalta Lilith e o feminino sombrio em clipe de ‘Lunação’

Antiprisma exalta Lilith e o feminino sombrio em clipe de ‘Lunação’

A canção instrumental é uma das faixas do segundo álbum do Antiprisma, o ‘Hemisférios’

Quem sabe o espírito do feminismo tenha nascido de Lilith. Algumas narrativas mitológicas a descrevem como demônio, outras como serpente e outras como deusa, mas independente das interpretações, Lilith é uma figura de representatividade do poder e autonomia da mulher, por não ter aceitado as normas patriarcais e fugido do paraíso. Obras literárias e cinematográficas da contemporaneidade contam sua história de diversas formas. Dessa vez, ela foi representada pelo duo Antiprisma, no clipe de ‘Lunação‘.

Em 2019, o público conheceu ‘Lunação‘ como uma das faixas do ‘Hemisférios‘, o segundo álbum do Antiprisma. Avulsa, ela já proporcionava uma experiência imersiva, graças à magia da música instrumental de nos levar a outros espaços por meio de interpretações diversas. Agora, com um produto visual, essas possibilidades sensitivas se expandiram. Dirigido por Elisa Moreira – que faz o duo Antiprisma acontecer, junto com Victor José -, o clipe é uma obra de arte mística que exalta a mulher e suas transformações naturais, como a Lua em suas fases. A performance dramática de Catharina Bellini transmite a essência do sombrio feminino através do espírito de Lilith.

Trecho do clipe de ‘Lunação’
“A ideia é focada nas faces sombrias do ciclo Lunar — a Lua minguante e a Lua nova — e os arquétipos e mitos associados a esses aspectos. No clipe, será invocada Lilith, que se manifestará ora com aspectos de Bruxa, ora como Pomba Gira, ora como feminista moderna. Os aspectos sombrios do feminino são frequentemente renegados e tidos como maléficos, porém fazem parte da natureza e sua negação é frequente fonte de sofrimento”, conta Elisa, voz, guitarra e violão do Antiprisma.
Para além de discussões de crença, a história mostra que o sombrio feminino sempre foi, e ainda é, reconhecido como uma maldição. Nesse mesmo sentido, mulheres cansadas de relações de dependência e submissão que conseguiram se livrar das amarras são frequentemente retratadas como rebeldes, em um sentido pejorativo. Como se toda a conjuntura desejasse que meninas crescessem se espelhando em figuras como Eva, mas elas se desviam e se enxergam como Lilith.

Trecho do clipe de ‘Lunação’

Elisa se interessou pelo mito de Lilith a partir de um livro de uma psicanalista junguiana. Como outras mulheres, teve a sensação de afinidade e representatividade ao conhecer o conceito do sombrio feminino e se reconhecer nele. “Naquela época aconteceram várias ‘coincidências’ relacionadas à Lilith, inclusive a de ter assistido a uma performance de Catharina Bellini, em um show da Sky Down, e, muito tempo depois, quando a chamei para filmar o clipe, ela me disse que se tratava realmente de uma performance sobre Lilith”, relembrou.
O clipe de ‘Lunação‘, canção instrumental do Antiprisma, surge entre nós como um convite à reflexão sobre o corpo, as fases e a natureza do feminino como ele é. Enquanto Catharina se movimenta, a mensagem imaginária flutua pela tela: por que Eva, se podemos ser Lilith?

Assista ao clipe de ‘Lunação’, do Antiprisma


Roteiro e Direção: Elisa Moreira
Modelo e Performance: Catharina Bellini
Fotografia e direção de atriz: Anna Bogaciovas
Produção: Elisa Moreira e Tamires Almeida
Direção de Arte: Elisa Moreira
Edição e Montagem: Elisa Moreira e Victor José
Make e Beauty: Igor Hoc
Styling e Figurino: Elisa Moreira e Tamires Almeida

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Sabryna Moreno

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