3 anos sem Chester Bennington: Relembre o legado que o vocalista do Linkin Park deixou

3 anos sem Chester Bennington: Relembre o legado que o vocalista do Linkin Park deixou

Chester Bennington morreu aos 41 anos, no ano de 2017, vítima da depressão e dos vícios em drogas e álcool

Há 3 anos, Chester Charles Bennington, conhecido mundialmente por seu sucesso como vocalista do Linkin Park, entrou para a triste estatística de pessoas que não conseguiram vencer a luta contra a depressão. Ao mesmo tempo, ele se tornou um dos — muitos — artistas que o mundo perdeu cedo demais. Das muitas lições que deixou, uma delas é a de que pessoas aparentemente fortes e realizadas também sentem dores, e que um sorriso nem sempre é sinônimo de felicidade. Por esses e outros motivos, precisamos falar do legado de Chester Bennington.

Linkin Park Chester Bennington

Em 20 de março de 1976, na cidade de Phoenix, sudoeste dos EUA, nascia Chester Charles Bennington. Ainda criança, Chester já conhecia a dor. Com 11 anos de idade, ele tomou coragem e contou sobre os abusos sexuais que sofria de um amigo mais velho desde seus 7 anos. Além da dor, sentia medo, por achar que, se contasse sobre o que passava, as pessoas não iriam reconhecer suas angústias, e na verdade, iriam achar que ele era gay.

Antes disso tudo passar, ele ainda precisava encarar as dificuldades causadas pela separação de seus pais. As consequências dos abusos e dos problemas familiares levaram Chester ao uso de drogas. Apesar do jeito rude que a vida se apresentou a ele, Chazy Chaz (como era chamado por amigos) era apaixonado por arte e, inclusive, buscava refúgio nela. Sua ansiedade e sua vontade de fugir dos problemas, quando mais jovem, eram amenizadas quando ele escrevia poesias e desenhava.

Chester Bennington participou de bandas como Sean Dowdell and His Friends (quanto ainda tinha 15 anos de idade), e uns 2 anos depois, ele e o baterista Sean Dowdell criaram a Grey Daze, uma banda de post-grunge que durou até 1998. Cerca de 2 mil pessoas assistiam às apresentações deles que, frequentemente, abriam shows de bandas nacionais pela capital do Arizona. No ano seguinte do fim dessa banda, Chester se juntou ao Xero, um grupo que estava à procura de um vocalista e se surpreendeu muito com a potência vocal do ex-Grey Daze.

Quando Chester entrou, eles mudaram o nome da banda para Hybrid Theory, mas logo precisaram mudar porque esse nome já havia sido registrado antes. Foi aí que nasceu o Linkin Park, um nome sugerido pelo próprio Chester, em homenagem ao Lincoln Park, um parque urbano de Santa Monica. Em 2000, eles lançaram o disco ‘Hybrid Theory‘, como planejavam que a banda se chamasse. 5 anos depois, 10 milhões de cópias desse trabalho já haviam sido vendidas apenas nos Estados Unidos. No total, de 1999 à 2017, sete álbuns de estúdio foram gravados, mais de 70 milhões de cópias foram vendidas e dois prêmios do Grammy foram recebidos com o Linkin Park.

Chester ainda passou muito tempo sendo dominado pelo álcool e pelas drogas. Era um vai-e-volta difícil, que começou muitos anos antes e, infelizmente, era difícil de ser bloqueado de uma vez por todas. Os outros integrantes da banda foram parceiros de verdade na luta dele contra a dependência química. Em 2013, após demonstrar ter se libertado dos vícios, Chester foi homenageado pelo MusiCares e recebeu o prêmio Stevie Ray Vaughan, por ter se tornado uma figura de exemplo ao apoiar a entidade e ajudar viciados em seus processos de recuperação.

Além de servir de inspiração por sua trajetória no Linkin Park e também em outros projetos paralelos, como ator, produtor e músico em outras bandas, Chester realmente foi exemplo com seus atos humanitários. Ele apoiava a Take Me Home, uma fundação que promove doação de animais, e inclusive, doou seu carro no eBay em 2001, destinando a renda de $15 mil doláres à própria Take Me Home. O hospital neonatal Cardon Children’s Medical Center também foi uma instituição apoiada por Chester. Através do Stars Of The Season, ele fazia shows beneficentes no hospital e visitava os pacientes.

Dois meses antes de sua morte, Chester estava velando um grande amigo, Chris Cornell. O músico, conhecido por sua voz nas bandas Soundgarden, Temple of the Dog e Audioslave, se suicidou no dia 18 de maio de 2017. Na ocasião do velório, Chester homenageou Cornell cantando ‘Hallelujah‘, junto com Brad Delson, guitarrista do Linkin Park, que tocava violão.

Foto: Chester Bennington e Chris Cornell

ÁUDIO: Chester cantando ‘Hallelujah‘ no funeral de seu amigo Chris Cornell

Últimos dias de Chester Bennington, a eterna voz do Linkin Park

Nunca foi segredo que Chester lutava contra a depressão e o vício em drogas e álcool, mas isso não quer dizer que o músico era uma pessoa de rosto triste e desanimado; pelo contrário. Pouco mais de 1 mês do suicídio de Chester, (por enforcamento, da mesma forma que aconteceu com Chris Cornell), sua viúva, Talinda Bennington, publicou uma foto tirada dias antes de ele tirar sua própria vida. Chester Bennington estava sorrindo, ao lado da esposa e de quatro de seus seis filhos. 

Aparentemente, estava tudo bem e existiam vários motivos para Chester sorrir verdadeiramente. Ele estava passando as férias com a família, mas foi embora mais cedo para casa porque o Linkin Park tinha compromissos no dia seguinte. ‘One More Light‘, novo álbum da banda, estava no topo das paradas, e o single ‘Heavy‘ tocava nas principais rádios. Jim Digby nunca tinha visto o músico tão “vivo e presente” nos últimos 15 anos e meio em que ele dirigiu as turnês do grupo.

Também poucos dias antes da fatalidade, Chester Bennington trocou mensagens carinhosas e otimistas com amigos músicos. Robert DeLeo, da Stone Temple Pilots, contou que ele parecia estar ansioso pelo futuro e por envelhecer. Matt Sorum, ex-baterista do Guns N’ Roses, recebeu um e-mail dele dizendo que queria tocar de novo com a King of Chaos, banda de cover que os dois fizeram juntos.

Bennington passou por algo que os especialistas chamam de “depressão sorridente“. Após o suicídio, alguns amigos reconheceram que ignoraram sinais da doença que acabava aos poucos com o vocalista. Ele, inclusive, dizia frequentemente que o “passageiro sombrio” tinha voltado à sua vida. Apesar de parecer livre dos vícios desde seu tratamento em uma clínica de reabilitação, em 2006, pessoas próximas presenciaram algumas recaídas dele.

Ryan Shuck, guitarrista no projeto Dead by Sunrise, que também sofreu de alcoolismo, disse que algumas mensagens desesperadoras de Chester descreviam “uma batalha de hora em hora com o vício“, isso um mês antes de ele morrer.

Como ficou evidente desde sua partida, Chester Bennington é mais uma prova de que, nem sempre, uma risada ou uma brincadeira indicam felicidade e vontade de viver. Durante sua trajetória, apesar de todas as crises, ele sempre esteve ao lado dos amigos e da família. Além de deixar reforçar o legado do Linkin Park, ele passou anos salvando vidas através da música e de suas atitudes solidárias individuais… a tristeza é que ninguém conseguiu salvar a sua.

Chester Bennington Linkin Park

✟ Chester Bennington, vocalista do Linkin Park, morreu no dia 20 de julho de 2017 e deixou sua esposa Talinda e seus filhos Draven, Tyler, Lee, Lily, Lila, Jamie e Isaiah. ✟

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Sabryna Moreno

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